terça-feira, 8 de setembro de 2015

SenTe ver...

Quanto tempo se passou desde a última vez?
Há quantos dias não sinto teus olhos em mim?
Quando a melodia se calou? Meu café esfriou? E o chocolate perdeu o sabor?
Há quanto tempo, meu bem, as flores perderam a cor? Nossa rua, antes tão florida, alegrando nossa caminhada, marcando minha vida, já não faz parte dos dias em que sinto sua falta enquanto sorrio feito menina apaixonada... boba!
Meus poemas não rimam mais, quanta falta você me faz... minha vida já não tem a emoção que só você me traz.
Teus beijos, aqueles que me estremecem ainda hoje quando deles me lembro, bastariam – e só os teus me satisfariam – para preencher o frio que aqui se faz.
Preciso de você.
Sim... preciso!
Você, este furacão, tanta emoção que parece transbordar ao tempo em que bem preciso, cabe completamente nos meus desejos e me faz sonhar... sorrir.
Sim, preciso de você aqui.

Preciso ouvir o som da tua voz cantando qualquer canção para me trazer de volta a emoção, a rima, a melodia, a poesia que me fazem suspirar... e viver. Viver a vontade de viver. Viver o desejo, a vontade, a vaidade de te ter. Viver... Porque só você me faz, com seu prazer, encontrar sentido nesta vida, que vale a pena ser vivida depois que conheci você. 

quarta-feira, 18 de março de 2015

Nada tão certo quanto a ideia de que com o caminhar apressado dos anos, voltamos a meninice.
De todas aquelas certezas que nos enchiam o peito e impulsionavam para a luta, só nos resta a escuridão dos pesadelos que nos atormentavam enquanto dormindo fracassávamos, pois acordados, estávamos sempre em construção de algo, buscando algo, correndo por algo.
Hoje, a única certeza é que só há incertezas!
Toda a altivez deu espaço para as rugas da testa que franze ao olharmo-nos no espelho e perceber que das marcas daquele sorriso de esperança, melhor, de certezas de um caminho, e principalmente de uma vitória, gloriosos só ficou um bigode chinês, nem o amarelo ou a tortura são capazes de serem vistos.
Os sonhos, os planos, perspectivas... em vão! Em uma lixeira ao lado da escrivaninha está depositado tudo que restou dos depósitos das fichas, de todas as fichas, até a última delas que reuni durante uma vida.
Antes de deitar, olho para um quadro, uma fotografia, pendurada na parede e pergunto-me sobre quem é aquele ser, em que lugar do tempo ele ficou.
Então, percebo que não passa do espelho desbotado do banheiro, mas, não enxergo em que parte de mim está escondida minha essência. Pergunto-me: ainda exalo?! Não me sinto mais...
Queria, agora, nada mais... nenhum cheiro ou sabor, textura, temperatura, futuro... Nada me seduz, nem sonhos, realmente não os quero mais. Queria, agora, esta nos braços daquela que me deu à luz, mas isso já não é possível, ela já não é mais minha mãe, já não sou nada do que sempre fui, não me reconheço, não seria a garota que ela reconheceu um dia, o meu clarão... se apagou!


Agora que o clarão da luz se apaga, 
a vós nós imploramos, Criador: 
com vossa paternal misericórdia, 
guardai-nos sob a luz do vosso amor.