quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Dicionário das boas recordações


Muita gente já viu, mas não sabia o que era, tentou descrever, mas jamais conseguiu. Sempre, ao pensar, sentia um misto de sensações inexplicáveis, e logo a frustração de não saber expressar, e até de não compreender muito bem aquele misto de sensações que toma o peito tornando o “eu não tenho palavras pra te explicar o que sinto aqui dentro” a coisa mais coerente a dizer.
Selecionei entre as palavras aquelas que mais se aproximavam de tudo que eu sentia, organizei-as da melhor forma para expressar as sensações, emoção, para descrever um estado de espírito, uma inspiração, mas nem assim fui capaz, então percebi que era necessário acrescentar novos vocábulos no meu dicionário para adjetivar o até então inadjetivável.
Percebi, então, que era exatamente sabomelodogria o que me trazia tantas boas sensações, recordações que me perseguem todos os dias...
Lembro-me de uma manhã em que, andando apressadamente, quase me esqueço do mundo, sem prestar atenção em nada a minha volta, senti algumas gotinhas leves das ondas do mar que batiam na areia da praia caindo no meu braço e então parei: Neste momento eu olhei para o lado e vi aquela imensidão de beleza, e recordei dele – sabomelodogria -, senti um cheiro bom que até ontem não sabia dizer do que era exatamente, pois vinha à memória ao mesmo tempo recordações de cheiros, gostos, risadas e lugares. De repente a atmosfera estava repleta de saboricidade, tudo tinha se chocoteraromatizado.
Momentos assim, recordações assim, só podem surgir pela magia de uma vida inteira que se vive em um instante. Momentos como este só são possíveis porque outros momentos foram cafetizados... cafetizados por alguma sabomelodogria particular, uma sabomelodogria esteralessofeinada.

Cafetizar: Transformar NO sonho.

Chocoteraromatizado: Etmologia: De chocoteraromizar. Tornar doce em consequência da ternura existente em um dado momento ou pessoa.

Eteralessofeinado: algo/alguém que, pela sensação de alegria que provoca em consequência de uma simples recordação, pelos sonhos que inspira, trás alegria em qualquer momento, e marca esse eternamente.
Sabomelodogria: Algo ou alguém que te traga, ao mesmo tempo, a sensação agradável do melhor momento, da melhor melodia, e do melhor motivo para sentir-se vivo, momentos de alegria plena, dos quais você se recorda.

Saboricidade: Gosto de sorriso da manhã de domingo, aquele dia domingo repleto de felicidade.



sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Para sempre... Você.

Já não quero mais te falar de saudades... ela que me faz tão pequena, que tanto remete à submissão aos sentimentos, que tanto diz de impotência. Ela que te diz o quanto te pertenço, te fala da minha devoção a ti, que de tão raro tornou-se necessário à minha humanidade.
Hoje quero falar de paixão... quero te falar de sentimentos diferentes, que arrebata, que se não cuidar, nos mata aos poucos, levando-nos a sanidade.
Quero te dizer que você chegou transformando meu mundo, mudando meu rumo, me fazendo melhor. Melhor por você, melhor pra você!
Quero te contar tudo que sinto quando tenho você por perto, e quero que saibas tudo o que causas quando ausente...
O quanto penso na gente!
Em noites quentes...
Sussuros, segredos, pele... desejos!
Quero te falar de sentimento, de verdades, de lealdade... de coisas minhas que há tanto esquecidas reencontrei em você, reencontrei com você. Você, que quero levar pra toda a vida. Você! Que eu escolhi como ilha dos sonhos, meu porto seguro... Você! Eu te escolhi, ou você me escolheu?
Quero te contar tudo isso em canção, poesia, versinhos... de forma doce, que não assuste, de forma sutil, pra que não mude jamais o jeito de me olhar, de me abraçar...
Quero te dizer de uma forma bonita, serena, me deixa te escrever num poema e eu prometo te guardar em segredo. Espera! Não tenha medo... Não quero te prender, aprisionar... só quero te contemplar, sem pretensões, sem planejar.
Viver o agora, e quando não mais for possível, viver as recordações de uma paixão ardente... de dias quentes, de cheiros, de momentos em que me senti tua, ou me senti eu mesma por estar em você.



Primavera particuLar

Hoje, quando dei por mim, estava de volta.
Senti o aroma do chocolate e bateu saudade, então voltei...
Passei pela rua florida onde quando na primavera deixei mais que passos, fotografei na memória o cheio do teu beijo, aquele cheiro de dia gostoso, com cabelos gotejados pela chuva que embaça o vidro, a lente, e transforma o sorriso, e trás novos sorrisos.
Senti no calor desta primavera, entre as flores da estrada, o aconchego que um dia encontrei nos teus braços.
Me senti abraçada, fortemente, protegida, querida.
Então sorri.
Sorri aquele sorriso que só tinha contigo, verdadeiro, espontâneo, o meu sorriso...
Hoje, quando dei por mim estava aqui, perdida em recordações, lembranças de um “bom dia”, dias felizes, saborosos, inesquecíveis.
Quando me olhei, estava ali, refazendo nossos passos, inconscientemente observando cada pedaço dessa história que ficou registrado em todos os cantos da cidade, então eu sorri.
Ouvi mentalmente uma canção que você estragou cantarolando em meu ouvido tão docemente. Foi mesmo só mentalmente? Estou quase convencida de que ele estava mesmo tocando.

Sorri, mas dessa vez, foi um riso torto, daqueles de saudade. Da saudade que me invade sempre que lembro que você foi embora, e que aqui só restou saudade.
Saudade é a falta que fazem palavras simples de pessoas especiais... É o silêncio deixado pela ausência das risadas... a escuridão causada pela inexistência do brilho do olhar

Há muito... uma vez... Pela última vEz!




Uma vez eu fui criança, amei a todos que pensei me amar. Uma vez!
Uma vez eu fui sincera, acreditei em todos em quem eu pensei que poderia acreditar. Uma vez! 
Uma vez eu pensei que família era a base de tudo, que eram eles que me levantariam em qualquer momento. Pensei, eu, uma vez, que com eles estaria protegida do mundo, mas logo percebi que o mundo é feito “deles”. 
Então, percebi que não importa o quanto a gente se dê, o quanto nos esforcemos para sermos bons, o quanto consigamos isso. Jamais será suficiente! 
Então eu avistei uma igrejinha, e lá me escondi. Lá dentro, ouvindo belas palavras que deveriam ser reconfortantes, me senti só, e percebi que o padre não sabe nada sobre o mundo... ou será que eu não sei nada sobre igrejas? 
Uma vez tentei dar uma segunda chance para esse mundo, e mais uma vez tentei dar uma nova chance para as famílias, mas notei que uma vez em contato com a verdade, não é possível voltar atrás, pensar que vai ser diferente, acreditar no que um dia não foi... 
Uma vez eu notei que quando a gente erra ensina ao mundo que podemos errar outra vez mais, que quando a gente mente uma vez e não é descoberto é porque aprendeu a mentir muito bem. Uma vez eu aprendi que não devo acreditar no mundo e para deixar de acreditar, só precisei de uma vez!

Li.Berdade

Quando esta porta fechar, não pense que a abrirei mais uma vez. Não espere pelo meu sorriso enquanto meus olhos molhados te dizem: estou aqui, estou contigo, como sempre foi.
Quando esta porta fechar e você não puder vir minhas costas enquanto vou embora, te esquecendo, deixando no passado tudo que hoje marca uma história de cumplicidade, não me questione, não grite meu nome, pois não irei mais te salvar do vazio e do abandono que você mesmo escolheu. 
Quando esta fresta fechar, esta que ainda deixa escapar um pouco de luz que irradia de uma amizade bonita, de momentos coloridos, de cheiros e sabores únicos, não culpe o mundo por não te entender, afinal, não é disso que você precisa, pois eu sempre compreendi mais do que queria, e isso realmente não importou. 
Assim que este clarão acabar, quando esta porta fechar, não me julgue, não me adjetive, não me critique por ter ido. Eu, logo eu que sempre estive aqui, contigo, que fui mais, bem mais que um ombro amigo, não vejo mais razão de continuar segurando a tua mão se você perdeu o medo e se arriscou seguindo caminhos errados, mesmo sabendo do perigo. Por favor, não me peça pra te seguir. 
Quando esta porta fechar não adianta voltar, pois meu caminho também é longo e não vou esperar, mesmo que voltes, não estarei mais no mesmo lugar. 
Quando esta porta fechar não me culpe por você não ouvir o que eu te disse até aqui.

Sobre a sauDade


Ela tem gosto de brigadeiro e cheiro de sorvete de creme...
Pensando nela, acabei sorrindo, tentando entendê-la, simpatizei:
Maltrata, mas pensando bem, a saudade faz bem.
Quanta falta faz um dia de chuva? Quanta saudade deixa o aroma de café, quanto te faz bem pensar num cafuné?! 
E aquele versinho que você criou quando na adolescência se apaixonou por um belo sorriso de garoto? O que te faz sentir? O que te faz recordar? 
Aquele sorriso, sem dúvida, é o mais lindo agora, não é mesmo? 
Você sentiu saudade, não sentiu?! 
Você provou novamente de sentimentos puros, ingênuos, gostosos... e sentiu saudade. 
Saudade às vezes machuca, mas existe pra gente recordar tudo o que foi bom, tudo o que marcou, a vida que a gente acabou deixando pra trás, mas que faz da gente o que somos hoje. 
Sinto saudade, muita saudade, saudade de bons momentos que revivo com o cheiro de terra molhada, com o sabor da pipoca quentinha, o cheiro do café coando... saudades de momentos simples mas tornados mágicos por quem ficou marcado nas melhores páginas da minha vida.

domingo, 14 de setembro de 2014

A culpa

Hoje eu resolvi parar para te falar das flores, das cores, dos cheiros e dos sabores.
Hoje eu resolvi parar para me encontrar e me falar do frio da ansiedade, dos pensamentos vagos, dos sentimentos guardados, da magia da vida, da melodia dos timbres, da luz dos sorrisos, da esperança nas lágrimas.
Hoje resolvi me reunir comigo, fazer uma terapia, me ouvir por dentro, me ouvir, talvez, gritar um sufocamento que sucumbe o meu ser. Algo que talvez esteja matando por dentro aquela que romanticamente disse uma vez o amor, ou pelo menos tentou. Aquela que um dia fez juras a si e que hoje, talvez, nem se lembre de determinadas promessas, crenças ou fé.
Hoje resolvi encontrar-me com alguém que tanto reescreveu seus sonhos pela influência proposital ou não de tanta gente, que tanto deixou de lado a si e adiou seus sonhos para sanar a dor do sonho roubado do outro.
Queria, hoje, sinceramente, reencontrá-la...
Dizer quanta falta me faz...
Mas me incomoda não conseguir.
Queria, agora, sobretudo, contar pra ela que não é sua culpa, que ao olhar no espelho não se julgue por ser, hoje, egoísta como aqueles por quem tinha repulsa... não se condene por seus atos reprováveis se de tantas opções que tinha, cometê-los foi o que mais a aproximou de ser justa [consigo].
Queria ver através de seus olhos a esperança, sentir o cheiro de meninice que sempre exalava, perceber em seu sorriso sem graça e olhar tímido que as coisas não mudaram, que o mundo não é cruel e que ele não tira os sonhos de pessoas que merecem ter em que acreditar.
Hoje resolvi tirar um tempo e falar do amor, das borboletas, da lembrança de cheiros, tons e movimentos, mas o tempo me foi tirado, o momento passou, e agora estou escrevendo sobre tudo aquilo o que temo, e que afugento.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Rasgo-me por inteiro,
Viro-me do avesso
Tentando não tomar manhas por manhãs,
Não me avessar por um verso,
Não enlouquecer por um pensamento.
Então, volto à direção, mas me vem você na contra mão e estremeço.
Três minutos e um sorriso.
Quatorze minutos...





Uma eternidade que me invade, me afasta da insanidade que faz querer me jogar no breu dos teus olhos, me afogar no molhado dos teus lábios enquanto luto para subir das profundezas destes devaneios, para fora dos sonhos, voltando a superfície da superficialidade da realidade.
Se com o coração na mão entrego-me a razão, espero ansiosamente pelo acaso que nos empurra em direção a uma incrível satisfação, aos sonhos, aos desejos...
Se me entrego às emoções, sinto-me em falta com o consciente, se não o faço, falto a mim mesmo. E neste momento, diante desta inquietante reflexão, me pego a questionar se vale à pena sonhar enquanto acordado, conscientemente, direcionando cada passo que dou, ou devo ser guiado pelo surpreendente dos sonhos do inconsciente.