Hoje, quando dei por mim, estava de volta.
Senti o aroma do chocolate e bateu saudade, então voltei...
Passei pela rua florida onde quando na primavera deixei mais
que passos, fotografei na memória o cheio do teu beijo, aquele cheiro de dia
gostoso, com cabelos gotejados pela chuva que embaça o vidro, a lente, e
transforma o sorriso, e trás novos sorrisos.
Senti no calor desta primavera, entre as flores da estrada,
o aconchego que um dia encontrei nos teus braços.
Me senti abraçada, fortemente, protegida, querida.
Então sorri.
Sorri aquele sorriso que só tinha contigo, verdadeiro,
espontâneo, o meu sorriso...
Hoje, quando dei por mim estava aqui, perdida em recordações,
lembranças de um “bom dia”, dias felizes, saborosos, inesquecíveis.
Quando me olhei, estava ali, refazendo nossos passos,
inconscientemente observando cada pedaço dessa história que ficou registrado em
todos os cantos da cidade, então eu sorri.
Ouvi mentalmente uma canção que você estragou cantarolando
em meu ouvido tão docemente. Foi mesmo só mentalmente? Estou quase convencida
de que ele estava mesmo tocando.
Sorri, mas dessa vez, foi um riso torto, daqueles de
saudade. Da saudade que me invade sempre que lembro que você foi embora, e que
aqui só restou saudade.

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