domingo, 14 de setembro de 2014

A culpa

Hoje eu resolvi parar para te falar das flores, das cores, dos cheiros e dos sabores.
Hoje eu resolvi parar para me encontrar e me falar do frio da ansiedade, dos pensamentos vagos, dos sentimentos guardados, da magia da vida, da melodia dos timbres, da luz dos sorrisos, da esperança nas lágrimas.
Hoje resolvi me reunir comigo, fazer uma terapia, me ouvir por dentro, me ouvir, talvez, gritar um sufocamento que sucumbe o meu ser. Algo que talvez esteja matando por dentro aquela que romanticamente disse uma vez o amor, ou pelo menos tentou. Aquela que um dia fez juras a si e que hoje, talvez, nem se lembre de determinadas promessas, crenças ou fé.
Hoje resolvi encontrar-me com alguém que tanto reescreveu seus sonhos pela influência proposital ou não de tanta gente, que tanto deixou de lado a si e adiou seus sonhos para sanar a dor do sonho roubado do outro.
Queria, hoje, sinceramente, reencontrá-la...
Dizer quanta falta me faz...
Mas me incomoda não conseguir.
Queria, agora, sobretudo, contar pra ela que não é sua culpa, que ao olhar no espelho não se julgue por ser, hoje, egoísta como aqueles por quem tinha repulsa... não se condene por seus atos reprováveis se de tantas opções que tinha, cometê-los foi o que mais a aproximou de ser justa [consigo].
Queria ver através de seus olhos a esperança, sentir o cheiro de meninice que sempre exalava, perceber em seu sorriso sem graça e olhar tímido que as coisas não mudaram, que o mundo não é cruel e que ele não tira os sonhos de pessoas que merecem ter em que acreditar.
Hoje resolvi tirar um tempo e falar do amor, das borboletas, da lembrança de cheiros, tons e movimentos, mas o tempo me foi tirado, o momento passou, e agora estou escrevendo sobre tudo aquilo o que temo, e que afugento.

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