Hoje eu resolvi parar para te falar das flores, das
cores, dos cheiros e dos sabores.
Hoje eu resolvi parar para me encontrar e me falar
do frio da ansiedade, dos pensamentos vagos, dos sentimentos guardados, da
magia da vida, da melodia dos timbres, da luz dos sorrisos, da esperança nas
lágrimas.
Hoje resolvi encontrar-me com alguém que tanto
reescreveu seus sonhos pela influência proposital ou não de tanta gente, que
tanto deixou de lado a si e adiou seus sonhos para sanar a dor do sonho roubado
do outro.
Queria, hoje, sinceramente, reencontrá-la...
Dizer quanta falta me faz...
Mas me incomoda não conseguir.
Queria, agora, sobretudo, contar pra ela que não é
sua culpa, que ao olhar no espelho não se julgue por ser, hoje, egoísta como
aqueles por quem tinha repulsa... não se condene por seus atos reprováveis se
de tantas opções que tinha, cometê-los foi o que mais a aproximou de ser justa
[consigo].
Queria ver através de seus olhos a esperança,
sentir o cheiro de meninice que sempre exalava, perceber em seu sorriso sem
graça e olhar tímido que as coisas não mudaram, que o mundo não é cruel e que ele
não tira os sonhos de pessoas que merecem ter em que acreditar.
Hoje resolvi tirar um
tempo e falar do amor, das borboletas, da lembrança de cheiros, tons e
movimentos, mas o tempo me foi tirado, o momento passou, e agora estou
escrevendo sobre tudo aquilo o que temo, e que afugento.
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