Às vezes um vazio toma conta do meu ser,
tornando difícil à palavra tamanha angústia, como se a imensidão do pequeno
interior que em minh’alma habita precisasse de algo que pode surgir como que
assim, numa fração de segundos, brotando do nada, ou do tudo, e que preenchesse
esse vazio, acabando com o medo do futuro, surgindo para firmar cada pedra
usada para trilhar o caminho, trazendo certeza, pondo-a no lugar do talvez...
algo que formado em uma fração de segundo se estendesse para o para sempre.
Certos dias sou surpreendida com
pensamentos estranhos, sem fundamento aparente, sem pretensões ou expectativas,
sem compromisso, sem perspectivas ou obrigações. Apenas surgem em meu ser. São
pensamentos sem explicação, que mexem com a imaginação, que alegra o coração e preenche
o vazio por um instante, aquele que parece não ter fim. Pensamentos que trazem
um conforto à sensação de solidão que insiste em estar presente, que maltrata,
que é persistente, mesmo quando no aconchego do amor.
Às vezes me sinto só mesmo acompanhada,
sinto falta de alguém com quem conversar sozinha, sinto a vontade de ter
vontade desesperada, de chorar do nada, de estar acompanhada mesmo só. Às vezes
eu sinto que esse imenso vazio só será preenchido com a imensidão que em sua
pequenez muda o mundo todo de uma única vez.
Às vezes sinto que o que me falta não
está fora, nem dentro. É algo que desconheço, apesar de almejar, desejar,
querer e sonhar em ter, mesmo sem conhecer. Às vezes eu penso que o que eu
preciso é algo preciso, que cabe nas mãos e que preenche a imensidão de um
pequeno coração. É algo que aqui, talvez, já exista, e que aos poucos preencha
um pequeno espaço, é algo que cabe em um longo abraço e que é dono dos sonhos
meus. Acho que o que eu preciso é mais que um sentimento que queima, que às
vezes machuca por dentro, mas que é algo para chamar de meu.
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