Às
vezes paro e me pergunto: onde está o propósito de viver?
Ser
feliz?... não, acho que não.
Vez
ou outra, andando pelas ruas, principalmente durante a noite, eu me deparo com
pessoas dormindo sob a lua, no frio que nem sempre o ar condicionado nos
proporciona, sob o sereno, ali, largado pela vida, jogado pela sorte,
abandonado por nós.
Será
“justo” que esse tipo de coisa aconteça? A qualquer pessoa do meu ciclo social,
a qualquer um a quem eu faça essa indagação, certamente me responderá que não.
Mas, o que é justo ou injusto? Bem, essa é uma questão na qual não pretendo
entrar, deixarei que Platão se encarregue dela.
O que importa é que essa terrível cena que não é
nada rara me perturba. Vejo que tem muita gente sozinha no mundo sendo vítima
da fome, do frio, do medo... da vida. Isso me angustia.
Outras vezes, no aconchego do meu lar aquecido,
deitada em minha cama cheia de travesseiros macios, cobertores cheirosos e
quentinhos, eu me deparo com pensamentos nada reconfortantes, que me fazem
refletir sobre um mundo diferente, hostil, escuro e frio: o mundo que existe
dentro de nós. Isso me faz estremecer, confesso.
Pensando nisso, me pergunto: por que tantos medos?
Isso eu sei... somos seres sociais, vivemos em um ambiente cercados por pessoas
nas quais algumas vezes precisaremos, para as quais precisaremos nos despir da
arrogância e sairmos da nossa ostra ou enlouqueceremos. Precisaremos nos dar.
Contudo, não devemos nos esquecer de que ninguém conhece nem a si, seus
limites, ou mesmo quando iremos extrapolá-los. Como garantir aos outros algo
que não podemos garantir a nós mesmos?
Pior, como podemos nós depositar tanto nos outros, se é impossível
conhecer a si? Isso é algo que não devemos.
Então, achamos que somos vítimas... Nisso eu
acredito! Somos todos vítimas: vitima da vida, da circunstância, dos nossos
pais, companheiros, amigos... todos querem algo em troca, seja confiança, seja
carinho. Ninguém se dá por acaso, as relações são baseadas no interesse, na
troca de valores. O problema é que tem gente que não tem limites para alcançar
o que quer. Mente, mascara, engana, chora, ama... e magoa!
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