quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Vítima do mundo... vítimas de nós!

Às vezes paro e me pergunto: onde está o propósito de viver?
Ser feliz?... não, acho que não.
Vez ou outra, andando pelas ruas, principalmente durante a noite, eu me deparo com pessoas dormindo sob a lua, no frio que nem sempre o ar condicionado nos proporciona, sob o sereno, ali, largado pela vida, jogado pela sorte, abandonado por nós.
Será “justo” que esse tipo de coisa aconteça? A qualquer pessoa do meu ciclo social, a qualquer um a quem eu faça essa indagação, certamente me responderá que não. Mas, o que é justo ou injusto? Bem, essa é uma questão na qual não pretendo entrar, deixarei que Platão se encarregue dela.
O que importa é que essa terrível cena que não é nada rara me perturba. Vejo que tem muita gente sozinha no mundo sendo vítima da fome, do frio, do medo... da vida. Isso me angustia.
Outras vezes, no aconchego do meu lar aquecido, deitada em minha cama cheia de travesseiros macios, cobertores cheirosos e quentinhos, eu me deparo com pensamentos nada reconfortantes, que me fazem refletir sobre um mundo diferente, hostil, escuro e frio: o mundo que existe dentro de nós. Isso me faz estremecer, confesso.
Pensando nisso, me pergunto: por que tantos medos? Isso eu sei... somos seres sociais, vivemos em um ambiente cercados por pessoas nas quais algumas vezes precisaremos, para as quais precisaremos nos despir da arrogância e sairmos da nossa ostra ou enlouqueceremos. Precisaremos nos dar. Contudo, não devemos nos esquecer de que ninguém conhece nem a si, seus limites, ou mesmo quando iremos extrapolá-los. Como garantir aos outros algo que não podemos garantir a nós mesmos?  Pior, como podemos nós depositar tanto nos outros, se é impossível conhecer a si? Isso é algo que não devemos.

Então, achamos que somos vítimas... Nisso eu acredito! Somos todos vítimas: vitima da vida, da circunstância, dos nossos pais, companheiros, amigos... todos querem algo em troca, seja confiança, seja carinho. Ninguém se dá por acaso, as relações são baseadas no interesse, na troca de valores. O problema é que tem gente que não tem limites para alcançar o que quer. Mente, mascara, engana, chora, ama... e magoa!

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